Já não tenho ninguém. Do fundo do meu forte e proeminente egoísmo, já não tenho ninguém que seja só meu. Ninguém que só me conheça a mim, ninguém que não saiba a minha verdade para além daquela que conto, ninguém que não faça juízos por causa deste e daquele, e do que dizem, e do que fiz há mais de não sei quanto tempo. Toda a gente que eu conheço acaba por se conhecer e, do fundo do meu forte e proeminente egoísmo, não gosto. Irrita-me. Deixam de se tornar únicas aos meus olhos, e eu deixo de me tornar única ao olhos deles. E tudo se transforma numa enorme multidão homogénea de onde nada se destaca, onde nada é novo, onde nada me chama. Apetece-me dormir.

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